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sábado, 26 de novembro de 2016

Homeopatia e propaganda enganosa

Em nossa Coluna Ciência já escrevemos bastante sobre homeopatia (ver aqui e aqui). Basicamente, temos reiterado o consenso da comunidade científica e esta é clara ao apontar que esta, a homeopatia, é uma pseudociência. Mas por que tanta implicância com as gotinhas de Hahnemann? Por quase tudo. Apenas para citar alguns motivos: os princípios nos quais se baseia como a lei dos semelhantes, doses infinitesimais, etc., se faziam algum sentido no século 18 ficaram completamente obsoletos quando começamos a estudar farmacologia moderna e a relação dose/efeito. Na forma como o medicamento homeopático é preparado não ficam praticamente traços do princípio ativo no produto final, ou seja, o paciente acabará ingerindo gotinhas de água puríssima. Os estudos que atestariam os bons resultados da homeopatia são geralmente malconduzidos (poucas pessoas tratadas, controles mal feitos, análise estatística deficiente, etc.) e quase sempre publicados em revistas “científicas” destinadas a homeopatas. Quando estudos independentes são realizados, incluindo as meta-análises (estudos sobre estudos científicos), os resultados mostram claramente que a homeopatia não funciona fora o efeito placebo. Para se ter uma ideia, uma recente revisão científica independente mostrou que de 68 doenças analisadas a homeopatia não se mostrou superior ao placebo em nenhuma delas (um retumbante 68 a 0!!!)

Dito isto, o leitor poderá muito bem pensar, e daí? Se alguém quer se tratar com gotinhas de água é problema dele. Por outra parte, o efeito placebo também é um efeito e pessoas podem encontrar alívio aos sintomas de algumas doenças. Nada a objetar quanto a isto. Mas seria correto tratar com uma terapia pseudocientífica crianças inocentes pelas quais somos responsáveis? É correto gastar dinheiro público em pesquisas e tratamentos que a ciência reprova há décadas?

Para se ter uma ideia, nosso CNPq junto com a ANVISA, acaba de abrir um edital para subsidiar pesquisas sobre homeopatia. Numa crise de verbas tão aguda como a que vivemos, que ameaça de morte pesquisas realmente relevantes sobre zika, dengue e tantas outras, faz algum sentido esse gasto numa terapia que já foi profundamente pesquisada e rejeitada? Que estudo resta fazer?

Neste sentido, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) acaba de dar um passo importante para impedir que o consumidor seja ludibriado pela propaganda dos produtos homeopáticos. Vendidos livremente nos balcões das farmácias, estes produtos não serão acusados de propaganda enganosa se ficar claramente registrado que: 

1) não há nenhuma evidência científica de que o produto funciona; e 
2) as alegações sobre a validade do produto são baseadas apenas em teorias homeopáticas do século 18, que não são aceitas pela maioria dos especialistas médicos modernos.

Assim, a decisão da FTC não proíbe a venda, mas exige que os consumidores sejam alertados sobre aquilo que estão consumindo.

Seria salutar se nossas autoridades tomassem uma atitude semelhante.

domingo, 6 de março de 2016

Um cocô muito caro

Não tenha dúvidas, vitaminas como a A, C, D; minerais como zinco, ferro e outros, são fundamentais para o bom funcionamento do nosso sistema imunológico, da mesma forma que são fundamentais para o bom funcionamento do sistema nervoso, circulatório, digestório e todos os demais. Se mediante exames específicos fica comprovado que existe deficiência de algum desses nutrientes (geralmente uma dieta normal dá conta da ingestão diária necessária de todos esses elementos), será necessária sua reposição. Mas segundo reportagem do jornal inglês The Guardian, no embalo desse fato muitos fabricantes de suplementos alimentares nos vendem outra ideia. Pelo que lemos, a ingestão adicional desses suplementos manufaturados teria a capacidade de “turbinar” nossa imunidade, melhorando nossa resistência às doenças. Seria legal, mas pelo que sabemos até agora, isso não funciona.

Para entender o porquê, temos que entender pelo menos superficialmente com nosso corpo se protege de vírus, bactérias, células tumorais e outros patógenos e substâncias estranhas. Nossa resistência a todos esses inimigos pode ser dividida em inata e adquirida. A primeira a responder costuma ser a inata, também conhecida como inespecífica. Ela não é lá muito eficiente para eliminar um germe em particular. Ao contrário, age no corpo todo (daí o nome inespecífica). Sob seus efeitos, nossas mucosas (principalmente olhos, nariz e garganta) inflamam, lacrimejamos, o catarro aumenta, temos febre e junto com todo isso vem esse mal-estar e letargia que nos pede para ficar na cama, resguardando-nos assim do ataque de algum outro micróbio. Se um desses suplementos nutricionais aumentasse esse tipo de imunidade ficaríamos mais inflamados, com mais catarro, com mais febre e nos sentindo ainda pior. Felizmente eles não cumprem o que prometem. Na realidade, geralmente tomamos remédios para cortar todos esses sintomas e não aumentá-los.

Se os suplementos não turbinam esse tipo de imunidade inata, será que turbinam a adquirida? Esta sim é bem eficiente. Os protagonistas são umas células do sangue chamados linfócitos (células B e células T). Elas são capazes de reconhecer especificamente o agente invasor e atacá-lo numa luta célula x micróbio, ou mediante a produção de anticorpos específicos contra o agressor. Além da especificidade, estas células têm outra caraterística: a memória imunológica. Depois da luta, uma boa quantidade desses linfócitos fica circulando pelo nosso corpo com a memória do micróbio contra o qual lutaram. Assim, quando o mesmo micróbio nos invade novamente (isto pode ocorrer anos depois do primeiro encontro), elas se reproduzem e lançam um ataque imediato, tão certeiro que geralmente os germes são eliminados sem sequer termos tido qualquer dos sintomas listados no início deste artigo.

Mas será que existe alguma forma de “turbinar” este tipo de imunidade tão importante? Sim, as vacinas fazem isso. Quando nos vacinamos introduzimos em nosso corpo fragmentos ou formas atenuadas de vírus ou bactérias, provocando a reação imunológica específica e criando células de memória. Uma vacina de reforço algum tempo depois é suficiente para manter a memória imunológica de forma que ficamos protegidos do agente agressor. Mas como esses suplementos alimentares não são fragmentos de vírus ou bactérias, eles não podem ajudar tampouco neste tipo de imunidade.

Mas então, fora as vacinas, que podemos fazer para nos proteger das doenças? Basicamente, aquilo de sempre. Uma alimentação equilibrada, exercícios físicos regulares e, sem sermos obsessivamente limpos, termos cuidados básicos de higiene como não espirrar sobre os outros, lavar as mãos antes de comer (aliás, o que pouquíssimos fazem, mesmo em restaurantes por quilo, onde isso deveria ser obrigatório!!!), nada que não tenhamos aprendido junto com as regras básicas de educação e higiene. Fora isso, na medida do possível fuja do estresse. Quando estamos estressados liberamos um hormônio chamado cortisol, e temos dados que indicam que ele tem uma ação negativa em relação à nossa imunidade. No inverno fuja das aglomerações. Gripes e resfriados aumentam nessa época do ano provavelmente não pelo frio, mas por ficarmos em espaços fechados com gente já doente, o que nos expõe ainda mais aos vírus.

É isso. Como comenta um especialista no artigo do The Guardian, gastar seu dinheiro se entupindo de suplementos alimentares fará na melhor das hipóteses que você faça um cocô muito caro, mas sua imunidade continuará a mesma.


Fonte: 
Why bingeing on health foods won’t boost your immune system. Dara Mohammadi. The Guardian/Science, 24/01/2016

Agradeço também meu colega da UNESP, o infectologista Alexandre Naime Barbosa pela ajuda na elaboração deste artigo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Detox funciona?

A ideia que devemos de alguma forma purificar nosso corpo não é nada nova. Entre os judeus ortodoxos, por exemplo, após o nascimento de um filho ou mesmo após a menstruação mulheres devem passar por um banho ritual de purificação (Mikveh). Rituais semelhantes são descritos em diversas culturas, praticados por xamãs ou outras figuras religiosas. Todos sabemos, claro, que esses rituais estão ligados ao misticismo, mas nada a ver com ciência.

Mas agora querem nos vender uma forma “científica” de purificação baseada na “desintoxicação”, ou apenas “detox” (não confundir com os procedimentos sérios de desintoxicação realizados, por exemplo, junto a usuários de drogas), a qual seria fundamental para eliminar as toxinas que vão se acumulando em nosso corpo, resultado de uma “alimentação pobre em vitaminas e rica em hormônios, agrotóxicos, aditivos alimentares, açúcar, gordura e uso abusivo de medicamentos (...) que comprometem o bom funcionamento do corpo”. Então, caso você sofra –como li num grande portal de notícias- de “cansaço excessivo, insônia, dificuldade de digestão, mau funcionamento do intestino, excesso se gases, retenção de líquido, falta de concentração, dores de cabeça e dificuldade para perder peso”, uma semana à base de chá de brócolis com limão (claro, acompanhado de uma dieta) ou uma boa lavagem intestinal detox, ou um banho em água detox, “vão deixar você como nova”.

Se alguém curtir suco de brócolis com limão ou mesmo outros mais exóticos, vá em frente. Provavelmente mal não deva fazer. O problema é que não existe nenhuma evidência científica indicando que essas dietas detox tenham a propriedade de desintoxicar coisa alguma. Qual a toxina que elas eliminam? Qual o processo bioquímico? Para entender por que isso não passa de enganação (para variar utilizando um palavreado muito sedutor), temos que ter uma ideia mínima da complexa bioquímica do nosso corpo –que hoje conhecemos bastante bem- e a função de órgãos especialmente capacitados para eliminar todas as toxinas que entram ou são produzidas pelo nosso organismo.

Resumidamente, para gerar a energia que nos mantém vivos nosso corpo deve absorver ou produzir substâncias essenciais como água, carboidratos, peptídeos, oxigênio, lipídeos, ácidos nucleicos e, em menor quantidade, vitaminas e sais minerais. Uma vez utilizados pelas células, esses compostos geram subprodutos metabólicos tóxicos que devem ser eliminados. Outras toxinas podem entrar em nosso organismo pelo que ingerimos ou respiramos. Achar que conseguiremos eliminar tudo isso tomando um suco detox ou terapias similares como “detox intestinal” é, como li por aí, o pináculo da charlatanice.

A bioquímica por trás desses processos de eliminação é para lá de complexa. Felizmente estamos equipados com órgãos que dão conta de todo o processo. Pulmões removem o CO2 resultante da respiração celular. Sem a remoção de CO2, o pH de nosso sangue baixa, o que leva a uma condição grave chamada acidose que se não tratada com urgência mata. Os rins também desempenham uma função importante ao eliminar ácidos do sangue e não há, claro, dieta detox que dê conta de uma insuficiência renal.

Mas entre os órgãos detox nada iguala nosso fígado. Como lemos nos livros de fisiologia, o fígado atua tanto como porteiro ao limitar a entrada de substâncias tóxicas na corrente sanguínea, e como lixeiro ao remover os produtos metabólicos potencialmente tóxicos. Ele é o primeiro órgão a receber tudo o que é absorvido pelos intestinos durante a digestão, tanto as coisas boas quanto as ruins (incluindo aqui os remédios que ingerimos). Antes de voltar para a corrente sanguínea, as células do fígado, os hepatócitos, fazem uma verdadeira triagem e mediante processos físicos e bioquímicos transformam elementos nocivos de forma que possam ser eliminados posteriormente através dos rins ou das fezes via bile.

Se tudo está funcionando bem, não precisamos de mais nada fora uma dieta saudável, exercício físico regular, fugir do cigarro, e outras boas práticas que estamos cansados de conhecer. Não há dieta de desintoxicação que possa fazer o que seu organismo sadio já faz ou deixa de fazer por causa de doença. Se um desses órgãos falhar, esqueça as dietas da moda e procure um bom médico. E antes de ser atraído por um desses sistemas naturais e mágicos de desintoxicação, lembre-se que a única limpeza que eles podem fazer de fato é no seu bolso.


É isso.

sábado, 25 de abril de 2015

Nosso medo de transgênicos.

Um ano atrás nesta coluna comentávamos a liberação por parte da Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia (CTNBio) do mosquito Aedes aegypti transgênico. Resumidamente, a ideia era liberar uma grande quantidade de mosquitos machos geneticamente modificados (GM). Esta modificação no DNA do Aedes faz com que ele morra em poucos dias assim como todos seus descendentes, que sequer conseguem chegar à fase adulta. Como a quantidade de mosquitos GM liberada acaba sendo bem maior que a quantidade de mosquitos machos selvagens, eles, os GM, copulam com a maioria das fêmeas. Estas então geram larvas que morrem antes de virarem mosquitos adultos, diminuindo assim o vetor responsável pela dengue. E lembrando, claro, que podem liberar machos à vontade porque estes não picam.

De lá para cá, fora um aumento assustador do número de vítimas -inclusive fatais- desta doença, pouco ouvimos falar deste Aedes GM. Mas isso mudou em março deste ano. Considerando que nenhuma medida conseguia deter esta epidemia, a prefeitura de Piracicaba decidiu comprar a ideia da liberação de Aedes GM. Isto, como já era de se esperar, gerou uma enorme resistência por parte de grupos que costumeiramente se opõem à utilização de soluções transgênicas (aparentemente em qualquer área). Mas estes, desta vez, seguiram o caminho correto. Em março entraram com uma ação no Ministério Público de Piracicaba (caminho correto porque pelo menos não partiram para a destruição de instalações científicas, como já tinha ocorrido em outros casos). De acordo com os demandantes (que incluía o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente), seriam necessárias garantias que os "Aedes transgênicos" não representariam riscos à saúde pública e à natureza. Acatando a solicitação, o MP suspendeu provisoriamente a liberação dos Aedes GM enquanto analisava toda documentação, incluindo os dados científicos disponíveis, opinião de especialistas, etc. 


Finalmente, no dia 15 de abril o MP autorizou a liberação do mosquito GM. Assim, não é só a CTNBio quem opina favoravelmente em relação ao Aedes GM (batizado Aedes “do bem”, para desespero de alguns ambientalistas), mas agora também o MP (espero que não seja alegado que também o MP está a servir os interesses das “grandes corporações internacionais”).

Temos um medo pouco justificado de organismos geneticamente modificados, mesmo quando em nossa história tenhamos intencionalmente modificado o genoma de bichos e plantas mediante técnicas bem menos precisas, como cruzamentos entre espécies e indivíduos artificialmente selecionados, e em alguns casos tendo utilizado indivíduos mutantes após serem submetidos a radiação, etc. Estas técnicas “naturais” geravam eventualmente organismos com algumas das caraterísticas que nos interessavam mas, como ainda não entendíamos direito como funcionava o DNA, com outras –escondidas no genoma modificado- que poderiam ser prejudiciais. Já a engenharia genética permite fazer isso com precisão, reconhecendo e isolando o fragmento de DNA responsável pela caraterística que desejamos e tendo a capacidade de analisar exaustivamente o organismo resultante.

Um exemplo bastante conhecido é o da insulina produzida por organismos geneticamente modificados. Até algumas décadas atrás a insulina “natural” disponível para os diabéticos era extraída de porcos ou bois. Só que esta insulina, além de cara e escassa, não era idêntica à humana. A de boi diferia em três aminoácidos (os tijolinhos com os quais as proteínas são construídas) e a do porco em um. Por causa disto, com o uso constante os pacientes desenvolviam anticorpos e acabavam rejeitando a insulina de origem animal. 

Felizmente na década de 1970 pesquisadores nos Estados Unidos e Reino Unido tiveram a ideia de remover a sequência de genes que nas células do pâncreas humano tinham a “receita” para produzir insulina, e “colaram” essa sequência de genes no DNA de bactérias da espécie Escherichia coli. Em pouco tempo, os pesquisadores tiveram milhões de bactérias que, além de viverem suas pacatas vidas bacterianas, passaram a produzir insulina idêntica à humana, e é ela hoje a que abastece quase todos os diabéticos do planeta. 

Na área de saúde o uso de produtos transgênicos não se restringe à insulina. Drogas transgênicas como a Bevacizumab representam uma das últimas esperanças de vida em alguns tipos de câncer mais agressivos. Outras drogas transgênicas como a Pegfilgrastim e Epoetin alfa são utilizadas para combater os efeitos colaterais da quimioterapia. A Infliximabe, também originada de engenharia genética, é utilizada para combater doenças autoimunes. Como se isso fosse pouco, é bom saber que todas as brasileirinhas e brasileirinhos nascidos nos últimos tempos recebem uma vacina transgênica contra a hepatite B (produzida no Instituto Butantã). É isso, a criançada já sai da maternidade com transgênicos circulando pelo corpo.

Parte do medo, claro, vem da desinformação. Nesse sentido, termino com uma história exemplar. Em 1977 o prefeito da cidade norte-americana de Cambridge enviou esta carta ao presidente da Academia de Ciências daquele país:


"Na edição de hoje do Boston Herald American (...) há duas reportagens que muito me preocuparam. Em Dover, Massachusetts, 'uma estranha criatura de olhos alaranjados' foi avistada. Em Hollis, New Hampshire, um homem e seus dois filhos se depararam com 'uma criatura peluda de 2,75 m de altura'. Peço respeitosamente que sua prestigiosa instituição investigue esses relatos. Espero ainda que possam averiguar se essas 'criaturas estranhas' (caso realmente existam) estão de algum modo ligadas aos experimentos com DNA recombinante em andamento na região da Nova Inglaterra".




Passaram-se algumas décadas, produtos transgênicos são utilizados por milhões sem nenhuma morte registrada, mas no imaginário popular as “criaturas estranhas” ainda podem aparecer a qualquer momento para aterrorizar nossa vida.

Fonte:
Organismos transgênicos no Brasil: regular ou desregular? Colli, W. Rev. USP no.89 São Paulo marzo./mayo 2011

sábado, 4 de outubro de 2014

Podemos prevenir o mal de Alzheimer?

Quando em 1909 o psiquiatra alemão Alois Alzheimer descreveu pela primeira vez a doença que posteriormente levaria seu nome, pensou tratar-se de uma patologia extremamente rara. Infelizmente não seria assim. O mal de Alzheimer afeta mais de 36 milhões no mundo inteiro, sendo a maior causa de perda de função mental em pessoas com mais de 65 anos (estima-se que o número de afetados deverá triplicar até 2050). Entre 5 a 10% dos indivíduos nessa faixa etária sofrem da doença, sendo que essa proporção sobe para algo em torno de 10 a 15% na faixa dos 70, e para 30 a 40% na faixa dos 85 anos. Formas precoces também foram identificadas, com aproximadamente 2% dos casos diagnosticados ocorrendo entre os 30 e 50 anos.

O mal de Alzheimer é uma doença devastadora. Pela destruição de partes específicas do cérebro vai eliminando elementos básicos da nossa vida consciente e de nossa personalidade ao comprometer irreversivelmente funções cerebrais superiores como a memória, habilidades de linguagem, percepção de tempo e espaço e finalmente a capacidade de cuidar de nós mesmos.

Considerando que nossa sociedade vai envelhecendo graças aos progressos que levaram ao aumento constante da nossa expectativa de vida (e também de olho nos lucros) esforços enormes estão sendo realizados para encontrar um tratamento eficaz. Algumas drogas têm se mostrado promissoras em modelos animais e mesmo em estudos clínicos realizados em pequenos grupos de pacientes. Infelizmente tem se observado que tratamentos que pareciam promissores mostraram-se ineficazes quando os testes passaram a incluir uma parcela maior da população. Assim temos que reconhecer que, infelizmente, até o momento não sabemos nem quais são as causas deste mal nem como curá-lo.

Não havendo cura, os tratamentos disponíveis visam aliviar seus sintomas. A perda de memória e outras habilidades cognitivas parece estar relacionada com a diminuição de um neurotransmissor denominado acetilcolina. Assim, algumas drogas denominadas inibidores da colinesterase (a enzima que inativa a acetilcolina) têm mostrado um efeito positivo em alguns pacientes. Outras drogas já estão em uso e o médico deverá avaliar a relação entre os benefícios e os efeitos indesejados que elas podem causar.

Se bem ainda não sabemos o que causa o mal de Alzheimer conhecemos alguns fatores de risco a ele associados. O genético tem uma participação importante. Se um dos nossos pais tem a doença nosso risco de tê-la nalgum momento da vida aumenta 50%. Pesquisadores observaram que mutações em genes específicos (presenilin 1 e 2, e apolipoprotein E) estão relacionados com uma maior predisposição para desenvolver o mal. Outros fatores de risco incluem um histórico de depressão e até traumatismos cranianos, havendo uma predisposição genética. Já rumores que comumente circulam associando a doença à falta de zinco na nossa dieta ou a contaminação ambiental por alumínio carecem de confirmação científica.

Da mesma forma, alguns fatores parecem diminuir o risco de desenvolver a doença e poderiam servir de alguma forma para prevenir e aliviar alguns dos seus sintomas. De tudo o que foi pesquisado, aqui vão as melhores dicas, extraídas do ótimo blog Neurophilosophy (Mo Constandi):

1) Faça exercício físico regularmente. Lembre-se que o que é bom para seu corpo é bom para seu cérebro. Manter uma boa saúde cardiovascular melhora a irrigação do corpo todo diminuindo também as chances de AVE e diabetes.

2) Exercite seu cérebro. Existem evidências indicando que forçar a atividade mental mediante a leitura, quebra-cabeças, aprender um novo idioma ou tocar um instrumento pode adiar o aparecimento dos sintomas da doença por alguns bons anos. Pense no seu cérebro como se fosse um músculo, ou você o usa ou você o perde.

3) Permaneça na escola. Existem boas evidências indicando que quanto maior o nível educacional de uma pessoa menor o risco de desenvolver Alzheimer e melhores as chances de enfrentar a doença caso ela apareça. A educação formal de qualidade parece criar uma reserva cognitiva de forma que quando a doença começa a agir essa reserva permite manter um nível razoável de qualidade de vida.

4) Tenha uma dieta balanceada. Junto com o exercício físico, dieta corretar evita o ganho de peso desnecessário e ajuda a manter uma boa saúde cardiovascular. Das lendas urbanas que existem sobre o tema, não existem boas evidências sobre as vantagens de privilegiar o peixe ou suplementos à base de ômega três. Já a chamada dieta mediterrânea parece diminuir a velocidade do declínio cognitivo relacionado com a idade e reduzir o risco do mal de Alzheimer.

5) Fique motivado. Ter um projeto de vida parece ter um efeito neuroprotetor, embora não saibamos como isso funciona exatamente. Coloque um objetivo atingível e vá atrás, seja voltando à escola, seja aprendendo alguma atividade nova e diferente.

6) Durma bem. Problemas no sono são tanto causa como consequência de possíveis alterações no cérebro. Lembre, não dormir é pior que qualquer medicação para dormir.

É isso; é o que temos. Infelizmente ainda muito pouco. Mas os cientistas estão atrás de uma solução. Só eles poderão encontrá-la.

Fontes:
World Alzheimer Report 2014: Dementia and Risk Reduction

terça-feira, 15 de abril de 2014

Mosquito transgênico contra a dengue está pronto


Em tempos de epidemia de dengue, declarada ou não, vem aí uma notícia que deve chamar a atenção de todos, fundamentalmente das nossas autoridades sanitárias. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação aprovou no dia 10 de abril, por 16 votos a 1, a liberação comercial da linhagem OX513A do Aedes aegypti, um mosquito geneticamente modificado (GM), para controlar a população do vetor do vírus da dengue e, assim, combater a doença.

O início desta pesquisa tem mais de uma década, e já foi comentada por esta coluna. Resumidamente a ideia é introduzir mediante técnicas de engenharia genética um gene letal em mosquitos Aedes aegypti machos. Estes mosquitos (lembrar que os mosquitos machos não nos picam, e sim as fêmeas) são liberados nas áreas urbanas em grande quantidade de forma a ter um número bem maior de mosquitos GM que mosquitos selvagens, numa proporção próxima de 10:1. Ao copular com machos GM as fêmeas selvagens geram larvas que, devido à mudança genética do pai, morrem prematuramente. Como o número de mosquitos machos GM é bem maior que o de mosquitos selvagens, as cópulas ocorrem majoritariamente entre fêmeas selvagens e machos GM e com isso a população de larvas com o gene letal vai ficando progressivamente maior que a população de larvas sadias, levando assim a uma redução na população de mosquitos.


Para permitir que sejam os pesquisadores (e não a natureza) os “gerentes” na reprodução das larvas, o gene letal é inibido quando estas crescem na presença de tetraciclina. Isto permite que as larvas GM atinjam a fase de mosquitos adultos apenas nos laboratórios das biofábricas já instaladas na Bahia. 

De acordo com alguns críticos do projeto, este pode ser um ponto negativo. Tetraciclina é um antibiótico comumente empregado nas indústrias da pecuária e da aquicultura, que despejam no meio ambiente grandes quantidades dessa substância. Obviamente, se larvas descendentes de machos GM se reproduzissem no ambiente natural em águas contaminadas com tetraciclina, o gene letal seria inativado e elas chegariam à fase adulta.

O projeto vem sendo desenvolvido pela empresa Oxitec, surgida nos laboratórios da Universidade de Oxford no Reino Unido, uma das mais prestigiosas universidades do mundo, e trabalha no Brasil em parceria com a USP e a Moscamed Brasil, uma Organização Social sem fins lucrativos (OS) reconhecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e pelo Governo da Bahia.

A técnica está sendo testada desde 2011 em alguns municípios da Bahia, como Juazeiro, onde a Moscamed já possui uma biofábrica que produz aproximadamente 4 milhões de mosquitos por semana. As larvas são modificadas geneticamente no Reino Unido pela Oxitec e importadas pela Moscamed, que se encarrega do resto da cadeia produtiva. Dados fornecidos pela própria Oxitec, aos quais não tivemos acesso, apontariam uma redução de 96% na quantidade de mosquitos selvagens nos municípios testados. 


Com a liberação da CTNBio, a Oxitec já está em plena expansão no Brasil para o início do projeto comercial. O valor que os municípios terão que pagar pelo programa oferecido pela empresa ainda não foi divulgado, mas dependerá do número de habitantes de cada cidade.

O que se espera é que o mais breve possível tenhamos dados relativos à diminuição ou não da incidência da doença nos municípios onde o projeto vem sendo desenvolvido. Se estes números forem tão animadores quanto o pessoal da Oxitec e a Moscamed comenta, teremos pela primeira vez uma solução real e efetiva para diminuir a incidência da dengue em nossos municípios.

Cabe assim às nossas secretarias de saúde estarem completamente informadas de todos os aspectos relacionados com o projeto, mesmo porque a ideia já saiu do papel e em breve estará à disposição dos interessados.

sábado, 22 de outubro de 2011

Ciência, mentiras e Prexige

No momento que escrevo esta coluna*, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) acaba de proibir a comercialização no Brasil do antiinflamatório Prexige, da Novartis, seguindo o caminho de agências reguladoras da Europa, Austrália, Canadá e outros países.

Esta proibição se soma à de outros antiinflamatórios da mesma família, a família dos "coxibes". Ela é composta também, além do lumiracoxibe (nome do produto ativo do Prexige), pelos celecoxibe (Celebra Pfizer), etoricoxibe (Arcoxia Merck Sharp & Dohme), parecoxibe (Bextra IM/IV Pfizer) rofecoxibe (Vioxx Merck Sharp & Dohme) e o valdecoxibe (Bextra Pfizer). Todos têm em comum que diminuem a inflamação através da inibição de uma substância química produzida pelo nosso corpo, chamada ciclo-oxigenase-2 (ou Cox-2). Dessa família já tinham sido proibidos o rofecoxibe (Vioxx) e o valdecoxibe (Bextra) por terem causado reações adversas graves, inclusive mortes.

Inicialmente acreditava-se que inibindo a Cox-2, apenas aspectos negativos da inflamação, como a dor, seriam eliminados. As pesquisas realizadas pela indústria farmacêutica apontavam que os benefícios dessas drogas seriam bem superiores aos possíveis efeitos colaterais. Essa idéia foi vendida com muito sucesso através de campanhas de marketing milionárias, que acabaram por convencer quase todos os médicos e dentistas do mundo sobre a conveniência de ministrar esses medicamentos. Mas em poucos anos, muitos usuários começaram a apresentar problemas graves nos rins, fígado e coração, e alguns vieram a falecer.

O primeiro medicamento dessa família a ser proibido foi o Vioxx®. O laboratório que o fabricava, Merck, foi inclusive processado nos Estados Unidos. Das páginas desse processo, surgem informações que dão uma idéia sobre o grau de manipulação de informações à qual estamos sujeitos. As denúncias partiram de uma das mais prestigiosas revistas de medicina do mundo, o Jama (Journal of the American Medical Association), e quem as faz é nada menos que a Editora Chefe, Catherine D. DeAngelis. É importante esclarecer que o Jama foi várias vezes acusado de proteger a indústria farmacêutica, o que parece afastar objetivos sensacionalistas.

Os artigos foram publicados em julho deste ano. Em um deles, os autores verificaram a prática de ghostwriting (autoria fantasma). Trata-se de uma prática na qual um cientista é pago para colocar seu nome em um trabalho científico que foi na realidade escrito por outros que, muitas vezes, nem sequer aprecem como autores. Em outras palavras, pesquisadores empregados do laboratório realizaram o estudo sob a supervisão da companhia e na hora de publicar, a empresa paga a um cientista famoso para assinar como autor, que presta (vende) assim seu prestígio acadêmico em benefício do produto. De acordo com a Dra. DeAngelis, infelizmente essa parece ser uma prática comum na indústria farmacêutica.

O segundo artigo é ainda mais grave. Acusa a Merck de ter conhecimento que a administração do Vioxx aumentava os riscos de morte em paciente que faziam uso do medicamento. Mesmo assim, o laboratório entregou à FDA (a Anvisa dos Estados Unidos) documentação que, através de manipulação estatística, minimizava esses riscos. As acusações são extremamente graves, e foram feitas -de acordo com a Dra. De Angelis- porque pela primeira vez o Jama tinha provas concretas sobre as mesmas.

Embora não exista bola de cristal, é presumível que em algum tempo todos os inibidores da Cox-2 venham a ser proibidos ou seu uso reduzido drasticamente. Desde a proibição do Vioxx em 2004, importantes periódicos científicos, como o New England Journal of Medicine, já alertavam para a possibilidade de riscos semelhantes ao Vioxx vierem a ocorrer pelo uso de qualquer "coxibe" já que todos agem da mesma forma, bloqueando a Cox-2 que, além do seu envolvimento no processo inflamatório, participa de outros importantes processos biológicos, alguns dos quais presumivelmente desconhecidos.

Já que nosso sistema de controle e verificação de medicamentos é na melhor das hipóteses precário, seria uma boa medida ficarmos atentos ao que é feito em países que contam com sistemas de farmacovigilância mais aprimorados e eficientes. O lumiracoxibe já tinha sido proibido em 2007 em Austrália, sendo que nem sequer obtivera autorização de comercialização nos Estados Unidos, mas era vendido normalmente no Brasil.

Em relação aos aspectos éticos sobre a participação de médicos e cientistas em esses episódios tão lamentáveis, traduzo as palavras da Dra. DeAngelis: "... se nós não fizermos algo, nossos pacientes continuarão a sofrer as conseqüências. Nós continuaremos a ser manipulados. É hora de tomar de volta nossa profissão. Nós abrimos mão dela, ou permitimos que fossa tirada de nós. Agora temos que recuperá-la. Nada disto teria acontecido se nós não tivéssemos cooperado. Assim de simples."

Assim de simples.


*Este artigo foi publicado originalmente em agosto de 2008. Não existem indícios que as práticas descritas na revista JAMA tenham sido abandonadas (como pode ser constatado aqui).

Fonte: Impugning the Integrity of Medical Science: The Adverse Effects of Industry Influence. Catherine D. DeAngelis, CD e Fontanarosa, PB, Jama. 2008;299:1833-1835.

domingo, 4 de setembro de 2011

Interesses por trás da ciência farmacêutica

É inegável a enorme contribuição de ciência farmacêutica para proporcionar medicamentos que nos permitem viver mais e melhor. Vacinas, antibióticos, anti-inflamatórios, anestésicos, anti-hipertensivos, analgésicos..., a lista é enorme. Também é inegável que desenvolver esses medicamentos custa muito, muito dinheiro. O processo desde a seleção de uma simples molécula, passando por toda a fase de testes laboratoriais e clínicos, pode consumir entre cinco a dez anos e milhões de dólares. E ao final, pode ser tudo jogado fora quando os últimos testes dão errado.

Fazer frente a esse empreendimento econômico tem se mostrado um desafio intransponível para o poder público, mesmo nos países ricos. Assim, a tarefa foi delegada à indústria farmacêutica. O preço a pagar tem sido, salvo exceções, condicionar a procura de novos medicamentos ao potencial lucrativo dos mesmos. O enorme investimento realizado para disponibilizar uma nova droga deve vir acompanhado de um lucro não menos enorme. Com frequência, a indústria acaba submetendo a ciência farmacêutica ao jogo do mercado, onde os critérios éticos que deveriam nortear médicos e cientistas são muitas vezes deixados de lado.

Por se tratar agora de uma atividade comercial, pesquisadores e universidades acabam se submetendo a confusas regras legais de forma que os resultados das pesquisas em vez de pertencerem à sociedade, pertencem, devido a cláusulas contratuais, à empresa financiadora, que divulga o que bem entende.

Um caso que ilustra esse fato ocorreu anos atrás nos Estados Unidos com um peso-pesado da indústria farmacêutica. O laboratório testava uma droga para combater a incontinência urinária. Entretanto, os testes pararam já que entre os efeitos colaterais a droga provocava tendências suicidas nos usuários. O problema é que o princípio ativo desse medicamento era o mesmo utilizado em um antidepressivo que o próprio laboratório comercializava, consumido por milhares de pessoas. Como o medicamento contra a incontinência não tinha chegado a ser comercializado, o laboratório teve o direito jurídico de omitir essa informação (mortes por suicídio durante os testes) por tratar-se de segredos comerciais previstos em lei. Já o antidepressivo, com o mesmo princípio ativo, continuou a ser vendido normalmente.

Hoje em dia, os laboratórios são obrigados a informar às autoridades apenas o início de testes. Já os resultados finais são apenas comunicados se o produto vai ser comercializado. Com isso, informações preciosas que poderiam salvar vidas são omitidas das autoridades e da comunidade científica por estarem protegidas por “trade secrets” (segredos comerciais).

No caso do nosso relato, a informação sobre o potencial suicida da droga veio à tona porque um dos pesquisadores envolvidos no projeto ficou com a consciência pesada e denunciou (anonimamente) esses fatos a um jornalista especializado. Chama a atenção que entre tantos pesquisadores envolvidos, apenas um foi capaz de tomar essa atitude.

Médicos se atualizam sobre os novos medicamentos geralmente através de duas fontes. Uma delas são os vendedores das próprias companhias farmacêuticas que visitam frequentemente os consultórios distribuindo informações sobre novos produtos, junto com uma série de brindes e bugigangas. Claro está que nesse caso os médicos desconfiam que o vendedor realçará os aspectos positivos do produto e tenderá a omitir os negativos. 

Outra fonte são as revistas médicas especializadas. Esta é considerada uma fonte confiável por boa parte dos médicos. O que poucos sabem é que as próprias revistas são mantidas por dinheiro proveniente da indústria farmacêutica, que paga pelos espaços publicitários nelas contidos. Para se ter uma idéia dessa influência, vale lembrar o caso do médico Mike Wilkes. Ele decidiu checar a veracidade das informações veiculadas nos anúncios sobre medicamentos publicados em uma prestigiosa revista médico-científica. Chegou à conclusão que boa parte das informações desses anúncios estava incorreta. Propaganda enganosa mesmo. A própria revista aceitou publicar as conclusões de Wilkes. Como represália, os anunciantes (empresas farmacêuticas) decidiram boicotar a revista, privando-a assim da sua principal fonte de ingressos. Os anúncios -e o dinheiro- voltaram apenas após terem sido demitidos todos os editores (médicos e cientistas) que tinham autorizado a publicação do artigo.

Esses e vários outros fatos nos mostram que, se por um lado a atividade da indústria farmacêutica é indispensável, regras mais rígidas destinadas a proteger a sociedade deveriam ser implementadas. No Reino Unido, um projeto de lei ainda em análise obriga essas empresas a divulgar publicamente resultados de todos os testes clínicos de novas drogas, sem importar se o experimento deu certo ou errado, se o medicamento vai ser comercializado ou não. É um bom início. Da nossa parte, é sempre bom lembrar que universidades públicas e centros de pesquisa, seus departamentos, laboratórios e docentes, devem estar inexoravelmente a serviço da sociedade, mesmo que esta não possa financiar passagens ou diárias de hotel para freqüentar congressos.

Fonte: Pharmaceutical advertisements in leading medical journals: experts' assessments. M S. Wilkes e cols., Ann. Intern. Med., 116:912-9, 1992; The Firing of Dr Lundberg, JAMA, 281:1789-1795, 1999.