Fontes:
The end of homoeopathy, The Lancet (Editorial), vol. 366, pág. 690, 2005.
Are the clinical effects of homoeopathy placebo effects? Comparative study of placebo-controlled trials of homoeopathy and allopathy; Aijing Shang e cols., The Lancet, vol. 366, pág. 726-732, 2005.
O relatório do Comité de Ciência e Tecnologia do parlamento inglês pode ser lido aqui http://www.parliament.uk/parliamentary_committees/science_technology/s_t_homeopathy_inquiry.cfm
Como é preparado um medicamento homeopático?
Uma das leis basilares da homeopatia é a Lei da Dose Mínima, ou dos Infinitesimais, que diz respeito à diluição do princípio ativo, o controverso princípio do "quanto mais diluído mais forte". Por causa disto, os remédios homeopáticos são preparados seguindo uma série crescente de diluições.
Primeiro, é diluída uma parte de princípio ativo em nove de água (ou outro solvente). Os homeopatas chamam esta diluição de 1DH (decimal hahnemanniana), ou seja, uma parte em dez. Para obter uma diluição 2DH mistura-se uma parte da solução anterior em nove de água, o que resulta em solução com uma parte de soluto em 100 (1/100) de solvente. Se fizermos isto mais uma vez teremos uma diluição 3DH (1/1000) e assim por diante. Se repetirmos 100 vezes, a diluição será 100DH ou uma parte de soluto em volume de solvente representado pelo número um seguido de 100 zeros. Durante essas diluições, a solução é agitada vigorosamente (sucussão) num processo denominado "Dinamização".
Além da escala decimal, é utilizada a escala centesimal hahnemanniana. Nesta escala, uma solução 1CH é 1/100, 2CH é 1/10.000, 3CH é 1/1.000.000, etc.
Para se ter uma ideia do que esses números representam na prática, anos atrás as autoridades sanitárias de Rio Preto (SP) iniciaram uma campanha de vacinação com um produto homeopático (Eupatorium) com diluição 30CH. Isto representa uma parte do Eupatorium em volume de solvente representado pelo número um seguido de 60 zeros. O problema é que nestas diluições tão extremas não sobram mais moléculas do soluto (Eupatorium).
Isto pode ser demostrado aproveitando os estudos do grande químico e físico italiano Amadeo Avogadro (1776-1856). Não é o caso de discutir detalhes sobre esses estudos aqui, mas eles permitem calcular quanto podemos diluir uma solução sem a eliminação completa da substância original. Estatisticamente, só é garantida a presença de pelo menos uma molécula do princípio ativo em soluções de concentração igual ou maior do que uma parte de soluto por volume equivalente ao número de Avogadro de partes de solvente, ou seja, uma parte de soluto por 602.213.700.000.000.000.000.000 partes de solvente. Isso quer dizer que a partir das diluições homeopáticas 24DH ou 12CH, a chance de existir uma única molécula do princípio ativo no medicamento é praticamente nula, e diminui ainda mais se continuarmos diluindo.
Como estes números escapam à nossa compreensão podemos exemplificar afirmando que seria necessário ingerir bem mais de 25 toneladas do medicamento para ter certeza de ter ingerido apenas uma única molécula de Eupatorium!
Muitas vezes os homeopatas reclamam de uma postura hostil e arrogante da comunidade científica em relação a eles. Em parte, têm razão. Mas muito contribuiria para melhorar essa situação se a homeopatia conseguisse explicar como é possível que um composto que não mais existe no medicamento, possa causar algum efeito fora do efeito placebo. Quem quer jogar o jogo da ciência, deve aceitar suas regras.
Fontes: