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| Michelangelo: A criação de Adão. Capela Sistina |
Primeiro vamos aos números. Quando se analisa esse assunto, são geralmente citados dois estudos. Um deles é do psicólogo J. H. Leuba, de 1916 (e repetido em 1933), e o outro, bem mais recente, de Larson e Withman, de 1998, publicado na prestigiosa revista Nature.
Leuba pesquisou estatisticamente a fé dos cientistas em um Deus que responde à prece e promete a imortalidade. Os entrevistados foram 1000 cientistas norte-americanos, físicos e biólogos, aleatoriamente selecionados entre a comunidade acadêmica daquela época. Desses 1000, 400 foram classificados como "grandes cientistas". Dos cientistas entrevistados (em 1916) 42% acreditavam em Deus, 42% não acreditavam e 17% tinham dúvidas ou eram agnósticos (números arredondados). Entre os grandes cientistas apenas 28% acreditavam, 53% não acreditavam e 21% tinham dúvidas ou eram agnósticos.
Quanto à vida após a morte, 51% dos cientistas acreditavam, 20% não acreditavam e 30 % tinham dúvidas ou eram agnósticos. Entre os grandes cientistas 35% acreditavam na imortalidade, 25% não acreditavam e 44% tinham dúvidas.
Dezessete anos depois (1933), Leuba repetiu a pesquisa apenas entre os “grandes cientistas” e constatou que a crença em Deus tinha despencado de 28 para 15%, e a crença na imortalidade de 35 para 18%.
A pesquisa de Leuba foi repetida por Larson e Withman em 1998 e 1999. Assim, em 1998 39% dos cientistas estadunidenses acreditavam em Deus, contra 45% de ateus e 15% de agnósticos. Quanto à imortalidade 38% acreditavam, 47% não acreditavam e 15% tinham dúvidas. Mas a mudança mais acentuada se deu entre os considerados “grandes cientistas”. Entre estes, apenas 7% acreditavam em Deus, 72% eram ateus, e 21% agnósticos. Quanto à imortalidade, o número dos que não acreditavam subiu para 77%.
Larson e Withman concluem: “Ciência e religião estão se envolvendo num diálogo e debate mais ativo, mas um levantamento (amplo) indica que as crenças dos cientistas pouco mudaram desde a década de 1930 e que os cientistas mais eminentes estão mais ateus do que em qualquer outra época.”
A pesquisa de Leuba foi repetida por Larson e Withman em 1998 e 1999. Assim, em 1998 39% dos cientistas estadunidenses acreditavam em Deus, contra 45% de ateus e 15% de agnósticos. Quanto à imortalidade 38% acreditavam, 47% não acreditavam e 15% tinham dúvidas. Mas a mudança mais acentuada se deu entre os considerados “grandes cientistas”. Entre estes, apenas 7% acreditavam em Deus, 72% eram ateus, e 21% agnósticos. Quanto à imortalidade, o número dos que não acreditavam subiu para 77%.
Larson e Withman concluem: “Ciência e religião estão se envolvendo num diálogo e debate mais ativo, mas um levantamento (amplo) indica que as crenças dos cientistas pouco mudaram desde a década de 1930 e que os cientistas mais eminentes estão mais ateus do que em qualquer outra época.”
Comparação dos dados entre os “grandes cientistas”
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Crença em Deus
|
1914
|
1933
|
1998
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Acreditam
|
27,7
|
15
|
7
|
Não acreditam
|
52,7
|
68
|
72,2
|
Duvidam/agnosticismo
|
20,9
|
17
|
20,8
|
Crença na imortalidade
|
1914
|
1933
|
1998
|
Acreditam
|
35,2
|
18
|
7,9
|
Não acreditam
|
25,4
|
53
|
76,7
|
Duvidam/agnosticismo
|
43,7
|
29
|
23,3
|
Provavelmente, são esses 7% de grandes cientistas que acreditam em Deus os que suportam, em parte, o argumento sobre a compatibilidade entre ciência e religião. Mas o argumento parece não resistir à lógica. Um cientista pode ser também racista, mas isto não cria compatibilidades entre ciência e racismo. Da mesma forma, rabinos podem furtar gravatas, o que não cria compatibilidades entre judaísmo e furto; bispos(as) evangélicos podem ser presos nos Estados Unidos por evasão fiscal, mas isto não cria compatibilidades entre evangélicos e a fraude. Padres católicos podem ter abusado sexualmente de crianças, o que não cria compatibilidades entre a religião católica e a pedofilia. Essas atitudes contraditórias do nosso comportamento são inerentes aos seres humanos, religiosos ou não, e quem sabe possam ser explicadas por neurocientistas, antropólogos, ou psicólogos, mas não criam compatibilidades entre as ações.
Uma definição importante sobre a (in)compatibilidade entre ciência e religião é fornecida pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, um país com profundas raízes religiosas: "A religião e a ciência são reinos separados e mutuamente excludentes do pensamento humano, cuja apresentação no mesmo contexto leva a mal-entendidos tanto da teoria científica como da prática religiosa" (recentemente, entretanto, alguns cientistas eminentes defenderam que a fé religiosa é um fenômeno biológico/evolutivo que pode ser estudado sim pela análise científica; voltaremos a este assunto em outra oportunidade).
Independente da liberdade de cada um acreditar no que quiser, ciência e religião são incompatíveis fundamentalmente pelo método que utilizam para chegar ao conhecimento. No pensamento religioso a “verdade” é conhecida fundamentalmente através de três elementos: tradição (acredito porque meu pai acredita, porque meu avô acreditava..., e assim de geração trás geração), autoridade (acredito porque o Papa ordenou), e revelação (acredito porque fulano teve uma visão).
Uma definição importante sobre a (in)compatibilidade entre ciência e religião é fornecida pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, um país com profundas raízes religiosas: "A religião e a ciência são reinos separados e mutuamente excludentes do pensamento humano, cuja apresentação no mesmo contexto leva a mal-entendidos tanto da teoria científica como da prática religiosa" (recentemente, entretanto, alguns cientistas eminentes defenderam que a fé religiosa é um fenômeno biológico/evolutivo que pode ser estudado sim pela análise científica; voltaremos a este assunto em outra oportunidade).
Independente da liberdade de cada um acreditar no que quiser, ciência e religião são incompatíveis fundamentalmente pelo método que utilizam para chegar ao conhecimento. No pensamento religioso a “verdade” é conhecida fundamentalmente através de três elementos: tradição (acredito porque meu pai acredita, porque meu avô acreditava..., e assim de geração trás geração), autoridade (acredito porque o Papa ordenou), e revelação (acredito porque fulano teve uma visão).
Esses argumentos de autoridade e fé são incompatíveis com o método científico. Este incorpora uma mente aberta para aceitar teorias, mas seguido de um rigoroso ceticismo científico que questiona e exige evidências sobre a teoria apresentada. Sem esse ceticismo perderíamos a capacidade de separar o joio do trigo, de forma que a teoria mais absurda passaria a ter a mesma força que aquela apoiada em evidências sólidas.
Isso pode soar complicado, mas não é. Você pode prevenir a paralisia infantil do seu filho rezando, colocando cristais para “canalizar” energias “positivas” ao redor da cama, ou dando uma vacina. Se você optou pela vacina, no fundo, já está entendendo as diferenças e as incompatibilidades.
Fontes:
Isso pode soar complicado, mas não é. Você pode prevenir a paralisia infantil do seu filho rezando, colocando cristais para “canalizar” energias “positivas” ao redor da cama, ou dando uma vacina. Se você optou pela vacina, no fundo, já está entendendo as diferenças e as incompatibilidades.
Fontes:
Leuba, J. H. The Belief in God and Immortality: A Psychological, Anthropological and Statistical Study (Sherman, French & Co., Boston, 1916).
Larson, E. J. & Witham, L. (1998); Leading scientists still reject God; Nature, 394: 313.
Larson, E.J. and L. Witham, L. (1999). Scientists and religion in America. Scientific American, 281: 88-93.


















